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	<title>Luís Paiva, Author at My Gastrenterologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da gastrenterologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças do foro gástrico.</description>
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	<title>Luís Paiva, Author at My Gastrenterologia</title>
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		<title>Lisboa acolhe conferência internacional sobre cancro do pâncreas </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 16:23:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lisboa é o palco do evento dedicado ao estudo e tratamento do cancro do pâncreas em 2025. A&#160;Botton‑Champalimaud International Pancreatic Cancer Conference&#160;(BCIPCC 2025)&#160;ocorre de 29 a 1 de novembro e conta com a participação de 95 especialistas das áreas da Oncologia, Cirurgia e da&#160;ciência translacional. O evento pretende fomentar a troca de conhecimento sobre metodologias [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Lisboa é o palco do evento dedicado ao estudo e tratamento do cancro do pâncreas em 2025. A&nbsp;<strong><em>Botton‑Champalimaud International Pancreatic Cancer Conference&nbsp;</em>(BCIPCC 2025)</strong>&nbsp;ocorre de 29 a 1 de novembro e conta com a participação de 95 especialistas das áreas da Oncologia, Cirurgia e da&nbsp;ciência translacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O evento pretende fomentar a troca de conhecimento sobre metodologias cirúrgicas inovadoras, novas abordagens terapêuticas e os resultados mais recentes na área, com impacto direto no cuidado ao doente e nos resultados clínicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O evento terá sessões plenárias e paralelas, debates e apresentação de resumos, oferecendo aos participantes uma agenda científica robusta e estimulante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saiba mais informações <a href="https://www.bcipcc.org/">aqui</a>.</p>
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		<title>&#8220;Os testes de sangue não têm capacidade para substituir o FIT ou a colonoscopia&#8221;</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/entrevistas/os-testes-de-sangue-nao-tem-capacidade-para-substituir-o-fit-ou-a-colonoscopia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 14:31:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Nunes, gastrenterologista e diretor médico de investigação clínica da Unilabs Portugal, comentou em entrevista à News Farma a recente aprovação pela FDA do primeiro teste de sangue para rastreio do cancro colorretal. A simplicidade do método poderá aumentar a adesão da população, mas persistem dúvidas quanto à sua sensibilidade, custo-eficácia e aplicabilidade nos diferentes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Nunes</strong>, gastrenterologista e diretor médico de investigação clínica da Unilabs Portugal, comentou em entrevista à News Farma a recente aprovação pela FDA do primeiro teste de sangue para rastreio do cancro colorretal. A simplicidade do método poderá aumentar a adesão da população, mas persistem dúvidas quanto à sua sensibilidade, custo-eficácia e aplicabilidade nos diferentes sistemas de saúde. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) | Poderiam os testes de sangue para rastreio do cancro colorretal substituir os métodos atuais, como os exames de fezes (por exemplo, o FIT) ou a colonoscopia, no diagnóstico? Quais seriam as potenciais vantagens práticas de um teste de sangue em termos de adesão, logística ou aceitação por parte dos doentes?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Nunes (PN) </strong>| Na minha opinião, os testes de sangue não têm, neste momento, capacidade para substituir o FIT ou a colonoscopia, principalmente porque por um lado faltam estudos populacionais a longo prazo e por outro lado desconhecemos completamente a custo-eficácia destes testes. Para além disso, a baixa sensibilidade para a deteção de lesões avançadas pré-malignas e cancro precoce é uma limitação importante destes testes. As pessoas teriam de perceber que o teste ia permitir o diagnóstico de cancro colorretal mas que o impacto na prevenção do mesmo ia ser muito menos significativo, principalmente comparando com a colonoscopia que permite não só detetar lesões malignas ou pré-malignas, mas também removê-las, prevenindo ativamente o cancro.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">De qualquer maneira, considero que um teste de sangue poderia trazer vantagens práticas, nomeadamente: maior adesão, seria mais aceite por parte da população, já habituada a análises de sangue e com menos barreiras culturais/psicológicas, evitando o constrangimento associado à manipulação de fezes, e o receio inerente à realização de colonoscopia; e facilidade logística, pois poderia ser integrado em análises de rotina.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Considerando a baixa adesão aos programas de rastreio em Portugal, muitas vezes devido à aversão à manipulação de fezes ou à natureza invasiva da colonoscopia, a disponibilidade de um teste de sangue poderia aumentar a participação geral?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PN |</strong> Como já disse, penso que sim. Contudo, teria de ser claro para as pessoas que preferirem o teste sanguíneo que um teste positivo obrigaria à realização da colonoscopia e por essa razão os estudos atuais preveem um aumento da aderência com estes testes mas não tão elevado como se esperaria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, sim, é provável que aumentasse a participação, sobretudo entre quem rejeita os métodos atuais. Um exame de sangue é percebido como simples e familiar, podendo atrair pessoas que de outra forma não participariam no rastreio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a adesão acrescida não deve ser confundida com eficácia superior: só a colonoscopia tem impacto preventivo. É essencial que o teste de sangue funcione como <strong>porta de entrada</strong>, e não como fim em si mesmo, sob pena de reduzir a adesão a exames que efetivamente previnem o cancro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Tendo em conta que os testes de sangue atuais demonstram uma menor capacidade de deteção de lesões pré-malignas avançadas e de cancros precoces, comparativamente ao FIT e à colonoscopia, qual seria o seu papel no rastreio? Seriam estes testes aceitáveis como uma alternativa de segunda linha para indivíduos que recusam os métodos tradicionais?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PN |</strong> No sentido do que já disse, apenas vejo estes testes como uma <strong>alternativa pragmática</strong> para indivíduos que recusam o FIT ou a colonoscopia, sendo preferível rastrear com menor sensibilidade do que não rastrear de todo. Não tendo o carácter preventivo da colonoscopia, pelo menos neste momento, só consigo ver estes testes como alternativas de segunda ou terceira linha, nunca os ofereceria como primeira opção à população. Contudo, no futuro a criação de testes sanguíneos “multicancer” em que se pesquisa não apenas para cancro colorretal mas para vários cancros frequentes penso que pode vir a ser muito interessante, apesar de que não prevejo que isso seja viável a curto prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Como prevê a potencial integração de testes de sangue no Programa Nacional de Rastreio Oncológico em Portugal? Quais seriam as barreiras práticas a considerar, como o financiamento, a priorização de recursos ou a conformidade com as diretrizes europeias?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PN | </strong>Como já disse acho que a integração destes testes de sangue no Programa Nacional de Rastreio Oncológico em Portugal, país cujo sistema de saúde nada tem a ver com os USA, exigiria uma complexa avaliação de vários factores, nomeadamente:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliação de custo-benefício: são testes caros e com eficácia inferior, pelo que a alocação de recursos deve ser ponderada. Por exemplo, o preço da colonoscopia em Portugal é significativamente inferior aos Estados Unidos, pelo que muito dificilmente o custo-benefício destes testes em Portugal seria comparável à colonoscopia, mesmo prevendo um aumento na aderência ao rastreio;</li>



<li>Priorização: num sistema com recursos limitados como Portugal, é fundamental garantir que a colonoscopia e o FIT mantêm financiamento e organização robustos. Portanto, seria impensável direcionar recursos para estes testes à custa do financiamento dos testes de rastreio existentes mais eficazes e com resultados dados;</li>



<li>Conformidade com diretrizes europeias: atualmente, a recomendação europeia é baseada no FIT e na colonoscopia, pelo que seria necessária evidência sólida para justificar alterações, que penso ainda não existir;</li>



<li>Questões logísticas: desde a inclusão em algoritmos de rastreio até à necessidade de assegurar colonoscopias de seguimento para resultados positivos. Isto é, será que temos condições para fazer colonoscopia de forma célere a todos os doentes que tenham testes sanguíneos positivos? Duvido&#8230;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Os Estados Unidos já aprovaram um teste de sangue para rastreio. Deveria a Europa e, em particular, Portugal, adotar rapidamente inovações semelhantes, ou seria mais prudente adotar uma abordagem cautelosa até que haja mais dados sobre a relação custo-benefício?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PN |</strong> Por tudo o que já disse se é verdade que estes testes podem parecer à primeira vista apelativos, e assim a adoção rápida poderia parecer atraente, penso que uma <strong>abordagem cautelosa seria sem dúvida mais sensata</strong>. Portugal deve acompanhar a evidência científica e económica resultante da experiência americana antes de implementar estes testes, também tendo em contas as diferenças significativas nos seus sistemas de saúde. Uma decisão precipitada poderia dispersar recursos e criar expectativas que não se traduzem em ganhos reais de saúde. Pior, podia levar as pessoas a afastarem-se ainda mais dos testes de rastreio de primeira linha, nomeadamente da colonoscopia, o que podia mesmo levar a consequências nefastas a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concluindo, a colonoscopia permanece o <em>gold standard </em>no rastreio do cancro colorretal já que é o único método que permite não só diagnosticar como tratar lesões pré-malignas e desta forma prevenir o cancro colorretal. Na minha opinião seria mais útil a Portugal apostar por um lado na educação da População, desmistificando os mitos e os riscos da colonoscopia mostrando o seu carácter preventivo, e por outro lado reforçar o financiamento desta vertente do rastreio. Os testes sanguíneos sendo atrativos devem ser reservados para já apenas para contextos clínicos muitos específicos sem descurar a aposta e o reforço dos testes de rastreio que já existem e que mostraram diminuir significativamente a mortalidade por cancro colorretal.</p>
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		<title>POEM: &#8220;taxas de sucesso superiores a 95% na população pediátrica&#8221;</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/entrevistas/poem-taxas-de-sucesso-superiores-a-95-na-populacao-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 14:28:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inês Rodrigues, especialista em Gastrenterologia e primeira autora do artigo “The First Reported Case of Peroral Endoscopic Myotomy in a Child in Portugal”, publicado no Portuguese Journal of Gastroenterology, aborda a aplicação da técnica POEM (PerOral Endoscopic Myotomy) em idade pediátrica, destacando vantagens, desafios no seguimento e o impacto deste primeiro caso reportado a nível [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Inês Rodrigues</strong>, especialista em Gastrenterologia e primeira autora do artigo <em>“The First Reported Case of Peroral Endoscopic Myotomy in a Child in Portugal”</em>, publicado no <em>Portuguese Journal of Gastroenterology</em>, aborda a aplicação da técnica POEM (<em>PerOral Endoscopic Myotomy) </em>em idade pediátrica, destacando vantagens, desafios no seguimento e o impacto deste primeiro caso reportado a nível nacional. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) | Quais são as principais vantagens do POEM em idade pediátrica, quando comparada com a dilatação pneumática ou a miotomia de Heller laparoscópica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Inês Rodrigues (IR) |</strong> Em idade pediátrica, o POEM apresenta várias vantagens quando comparado com a dilatação pneumática e a miotomia de Heller laparoscópica. A dilatação pneumática, embora seja considerada um tratamento inicial aceitável, tem uma taxa de sucesso média inferior a 50%, exige frequentemente múltiplas sessões e os resultados a longo prazo revelam-se claramente inferiores aos da miotomia. Já a miotomia de Heller laparoscópica, apesar de oferecer melhores resultados do que a dilatação, apresenta um sucesso entre 70% e 80%. Já o POEM tem-se destacado por demonstrar taxas de sucesso superiores a 95%, inclusive na população pediátrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além da eficácia, o POEM apresenta a vantagem de ser um procedimento endoscópico, o que permite uma recuperação mais rápida do que na cirurgia laparoscópica. Pode, ainda, ser utilizado em casos de recorrência após a miotomia cirúrgica. Embora a técnica esteja associada a uma maior incidência de lacerações da mucosa durante o procedimento, estas complicações não têm, na maioria dos casos, relevância clínica significativa. Tal como na miotomia de Heller, a doença de refluxo gastroesofágico permanece uma complicação a monitorizar no período pós-procedimento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Assim, o POEM em idade pediátrica distingue-se por apresentar maior taxa de sucesso, menor necessidade de reintervenção e resultados promissores a longo prazo, assumindo-se como uma alternativa cada vez mais relevante.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF |</strong> <strong>De que forma o diagnóstico precoce da síndrome de Allgrove pode alterar a evolução clínica e o prognóstico das crianças afetadas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IR | </strong>O diagnóstico precoce da síndrome de Allgrove tem implicação na evolução clínica e prognóstico das crianças afetadas. Esta síndrome caracteriza-se pela tríade clássica de insuficiência suprarrenal, acalásia e alacrimia, podendo evoluir para complicações multissistémicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o diagnóstico é realizado precocemente, é possível instituir terapêutica de substituição adequada para a insuficiência suprarrenal, prevenindo crises adrenais potencialmente fatais e reduzindo o risco de descompensação metabólica. A deteção da alacrimia desde os primeiros meses de vida possibilita o uso regular de lágrimas artificiais, prevenindo complicações oculares. Do mesmo modo, a identificação precoce da acalásia permite um encaminhamento atempado para gastrenterologia e o tratamento adequado, prevenindo quadros de regurgitação, má nutrição e deficiente progressão estaturo-ponderal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além dos benefícios clínicos imediatos, o reconhecimento precoce da síndrome permite um acompanhamento multidisciplinar, que melhora a qualidade de vida da criança e da família, favorece o retorno a um quotidiano próximo do normal, incluindo escola e convívio social, e garante vigilância para complicações tardias. Assim, a intervenção precoce traduz-se numa melhoria clara do crescimento, do desenvolvimento global e do prognóstico a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Que desafios específicos existem na realização e no seguimento do POEM em crianças, tendo em conta a escassez de dados a longo prazo?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IR | </strong>A realização e o seguimento de crianças intervencionadas por POEM colocam desafios particulares, sobretudo devido à escassez de dados a longo prazo. O procedimento em si apresenta os mesmos passos e bases técnicas do procedimento no adulto. Atendendo à curva de aprendizagem da técnica e à raridade do diagnóstico em idade pediátrica, os doentes são abordados em contexto multidisciplinar, sendo a técnica realizada por Gastrenterologistas de adultos com experiência em técnicas endoscópicas avançadas. Apesar da elevada taxa de sucesso clínico inicial, algumas séries observaram em cerca de um terço recorrência de sintomas (31,6% ao fim de quatro ou mais anos). Não foram identificados fatores preditores de recorrência, dificultando a estratificação dos doentes e o planeamento individualizado do seguimento, sendo necessário recorrer a avaliações clínicas periódicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acresce ainda a complexidade da doença de refluxo gastroesofágico após POEM. Numa série que avaliou sintomas e alterações endoscópicas, apenas 13,8% das crianças desenvolveram sintomas de refluxo, mas mais de metade (57,1%) apresentavam esofagite erosiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal discrepância entre manifestações clínicas e achados endoscópicos, reforça a utilização de pHmetria ou pH-impedância, apesar de não existir consenso quanto ao melhor momento para os realizar nem sobre a duração da terapêutica com inibidores da bomba de protões. A gestão do refluxo em idade pediátrica é ainda mais desafiante porque se desconhece a percentagem de crianças resistentes ao tratamento com IBP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de protocolos de seguimento validados, as necessidades de monitorização contínua do crescimento, do estado nutricional e da qualidade de vida, obrigam a uma vigilância estruturada e multidisciplinar. Neste contexto, a experiência institucional, com protocolos que incluem pHmetria aos 6 meses, é fundamental, mas a criação de registos multicêntricos pediátricos seria importante para uniformizar práticas e melhorar o conhecimento sobre os resultados a longo prazo. Assim, o principal desafio não é tanto na realização técnica do procedimento, mas sobretudo a definição de estratégias seguras e sustentadas de seguimento, num grupo em que as complicações, mesmo “silenciosas”, podem ter repercussões significativas no futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Como este caso pode contribuir para a mudança de práticas clínicas em Portugal no tratamento da acalásia pediátrica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IR |&nbsp; </strong>Este caso pode contribuir de forma significativa para a mudança de práticas clínicas em Portugal no tratamento da acalásia pediátrica, ao demonstrar a viabilidade e eficácia do POEM quando realizado por uma equipa multidisciplinar experiente, que integrou gastrenterologistas pediátricos e gastrenterologistas com competência em endoscopia avançada. A experiência positiva reforça a importância da centralização destes doentes em centros de referência, capazes de assegurar não apenas a execução técnica do procedimento, mas também a avaliação prévia rigorosa, o seguimento a longo prazo e a gestão de potenciais complicações, como o refluxo gastroesofágico pós POEM. A criação de unidades de referência permitiria uniformizar critérios de seleção, protocolos de seguimento e estratégias de tratamento, além de melhorar o acesso à técnica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Qual o impacto deste primeiro caso reportado em Portugal na sensibilização da comunidade médica nacional para a utilização do POEM em idade pediátrica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>IR |</strong> Para além de demonstrar que o procedimento é exequível e seguro também em crianças, reforçando a confiança dos clínicos numa técnica até agora maioritariamente aplicada em adultos, este caso evidencia o valor do trabalho conjunto de equipas multidisciplinares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este caso poderá servir como ponto de partida para promover a colaboração entre especialidades e incentivar a criação de registos nacionais que documentem resultados, garantindo maior qualidade e equidade no tratamento da acalásia pediátrica em Portugal.</p>
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		<title>Colangite biliar primária: do diagnóstico ao tratamento</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/opiniao/colangite-biliar-primaria-do-diagnostico-ao-tratamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 14:24:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo de opinião, Joana Nunes, gastrenterologista e hepatologista no Hospital da Luz e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, alerta que a colangite biliar primária, doença autoimune rara que afeta sobretudo mulheres de meia-idade, deve ser investigada sempre que há alterações nas análises do fígado, mesmo na ausência de sintomas, a fim de proteger [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Neste artigo de opinião, <strong>Joana Nunes</strong>, gastrenterologista e hepatologista no Hospital da Luz e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, alerta que a colangite biliar primária, doença autoimune rara que afeta sobretudo mulheres de meia-idade, deve ser investigada sempre que há alterações nas análises do fígado, mesmo na ausência de sintomas, a fim de proteger a saúde e prevenir complicações. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>O que é a colangite biliar primária?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A colangite biliar primária (CBP) é uma doença autoimune, rara, que afeta sobretudo mulheres entre os 40 e os 60 anos. Anteriormente chamada de cirrose biliar primária, o nome foi alterado porque muitos doentes nunca chegam a desenvolver cirrose.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na colangite biliar primária, o sistema imunitário ataca as pequenas vias biliares no interior do fígado, que são canais responsáveis por transportar a bílis, uma substância essencial à digestão das gorduras e à eliminação de toxinas. A obstrução destes canais provoca acumulação de bílis no fígado, inflamação, cicatrizes (fibrose) e eventualmente cirrose.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Causas e Fatores de Risco</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A causa exata da CBP ainda não é totalmente conhecida. Acredita-se que envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Não sendo uma doença de hereditariedade direta, é mais comum em pessoas com história familiar de doenças autoimunes, como lúpus, tiroidite ou artrite reumatoide.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Sintomas Mais Comuns</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa fase inicial, a maioria dos casos de colangite biliar primária (CBP) é assintomática. O diagnóstico precoce, antes do aparecimento de sintomas, permite iniciar um tratamento adequado, que vai retardar ou impedir a progressão da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, quando a CBP é diagnosticada numa fase sintomática, há uma maior probabilidade de existir doença hepática avançada e cirrose. Nesses casos, mesmo com terapêutica disponível, há risco de insuficiência hepática e de necessidade de transplante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando estão presentes, os sintomas mais frequentes incluem f<strong>adiga intensa</strong>, p<strong>rurido (comichão)</strong>, especialmente nas mãos e nos pé, b<strong>oca e olhos secos</strong> e i<strong>cterícia</strong> (coloração amarelada da pele e dos olhos).</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Como é feito o diagnóstico?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Devemos suspeitar de CBP quando há alteração das análises de rotina do fígado – mais concretamente a fosfatase alcalina (FA), mesmo que sejam alterações ligeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fosfatase alcalina (FA) surge elevada mesmo em fases precoces da doença, muito antes de qualquer sintoma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante uma elevação da fostatase alcalina, com ou sem elevação de outros valores hepáticos, deve ser realizado o despiste de colangite biliar primária através de uma análise específica: o anticorpo anti-mitocondrial (AMA). Esta análise sanguínea é específica e muito sensível, sendo o marcador perfeito para o diagnóstico desta doença. Na presença de uma FA elevada, um AMA positivo é suficiente para o diagnóstico. Este exame simples pode permitir um diagnóstico precoce e salvar fígados e vidas.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Existe tratamento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim. Embora não haja cura definitiva, a CBP pode ser controlada com medicamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal tratamento é o ácido ursodesoxicólico, que ajuda a melhorar o fluxo da bílis e a reduzir a sua acumulação no fígado. Este tratamento oral permite evitar a progressão da doença na maioria dos casos. Quando não há resposta adequada, (30% a 40% dos doentes), existem outras alternativas terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos casos em que a doença já é diagnosticada numa fase avançada, em que há falência da função do fígado, pode ser necessário o transplante hepático. Felizmente, atendendo a um diagnóstico cada vez mais precoce em doentes assintomáticos, estes doentes são cada vez mais raros.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Viver com CBP: Qualidade de Vida</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de se tratar de uma doença crónica, sem cura, muitas pessoas com CBP têm uma boa qualidade de vida por muitos anos, principalmente quando a doença é diagnosticada precocemente e tratada corretamente. Outras medidas importantes são uma alimentação equilibrada, evitar o consumo de álcool e manter o peso saudável.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mensagens chave: qualquer alteração nas análises do fígado deve ser investigada, mesmo em pessoas sem sintomas. Na CBP, a chave para um bom prognóstico está no diagnóstico precoce e seguimento adequado.</strong></p>
</blockquote>
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		<item>
		<title>Bactérias intestinais podem potenciar a melhoria da força muscular</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/atualidade/bacterias-intestinais-podem-potenciar-a-melhoria-da-forca-muscular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 14:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo publicado na Scientific Reports demonstrou que certas bactérias intestinais estão intimamente associadas ao aumento da força muscular, independentemente da genética do hospedeiro. Os investigadores coreanos realizaram transplantes fecais de humanos para camundongos e observaram que a microbiota intestinal teve um impacto direto na força muscular: enquanto alguns camundongos demonstraram melhorias significativas, outros não [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Um estudo publicado na <em>Scientific Reports</em> demonstrou que certas bactérias intestinais estão intimamente associadas ao aumento da força muscular, independentemente da genética do hospedeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores coreanos realizaram transplantes fecais de humanos para camundongos e observaram que a microbiota intestinal teve um impacto direto na força muscular: enquanto alguns camundongos demonstraram melhorias significativas, outros não apresentaram mudanças ou até mesmo perderam força.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise detalhada das bactérias no trato gastrointestinal de cada camundongo demonstrou diferenças significativas relacionadas à força muscular, sendo que uma maior diversidade microbiana foi observada no intestino em comparação às fezes. Entre as espécies identificadas, <em>Lactobacillus johnsonii </em>e <em>Limosilactobacillus reuteri</em> destacaram-se pelo seu efeito positivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a suplementação dessas bactérias em camundongos idosos aumentou significativamente a força muscular, acompanhada de elevação nos níveis de expressão de folistatina (FST) e IGF1, proteínas essenciais para o crescimento e manutenção muscular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo abre uma nova via de investigação sobre como a microbiota intestinal pode influenciar características complexas, sugerindo potenciais estratégias para melhorar a força muscular e a saúde em idosos através da modulação da microbiota. Leia o artigo completo <a href="https://www.nature.com/articles/s41598-025-15222-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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		<title>Assista a procedimentos de dissecção submucosa endoscópica na 2.ª edição do Porto ESD Live</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/eventos/assista-a-procedimentos-de-disseccao-submucosa-endoscopica-na-2-a-edicao-do-porto-esd-live/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2025 14:19:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Porto assume o papel de epicentro da endoscopia digestiva avançada com a realização da 2.ª edição do Porto ESD Live, entre os dias 18 e 20 de setembro de 2025. O evento decorre na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, e transmite ao vivo procedimentos de dissecção submucosa endoscópica (ESD) realizados no [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O Porto assume o papel de epicentro da endoscopia digestiva avançada com a realização da 2.ª edição do Porto ESD Live, entre os dias 18 e 20 de setembro de 2025. O evento decorre na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, e transmite ao vivo procedimentos de dissecção submucosa endoscópica (ESD) realizados no Hospital Pedro Hispano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante os dois dias do curso, os participantes assistem a casos clínicos ao vivo, interagem com especialistas de renome internacional e participam em sessões práticas com modelos <em>ex-vivo</em>. O evento é organizado por <strong>Francisco Baldaque-Silva</strong> e conta com o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Para mais informações e inscrições, visite o site oficial do evento <a href="https://www.endoscopylive.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>&#8220;A microbiota é altamente modulável e podemos alterá-la através de intervenções a longo prazo&#8221;</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/entrevistas/a-microbiota-e-altamente-modulavel-e-podemos-altera-la-atraves-de-intervencoes-a-longo-prazo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 13:04:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A microbiota intestinal tem ganho destaque na investigação biomédica, sendo fundamental na compreensão de doenças como o cancro colorretal e na saúde pública. Ana Santos Almeida, investigadora principal do GIMM (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine) e professora convidada na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, partilha em entrevista à News Farma, os desafios da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A microbiota intestinal tem ganho destaque na investigação biomédica, sendo fundamental na compreensão de doenças como o cancro colorretal e na saúde pública.<strong> Ana Santos Almeida</strong>, investigadora principal do GIMM (<em>Gulbenkian Institute for Molecular Medicine</em>) e professora convidada na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, partilha em entrevista à News Farma, os desafios da investigação, o papel da inteligência artificial na análise de dados e as potenciais aplicações terapêuticas inovadoras para diagnóstico e tratamento com base na microbiota. Leia a entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) | De acordo com os dados do terceiro inquérito do Observatório Internacional de Microbiotas, que recolheu respostas em 11 países, 62% dos portugueses mostraram-se disponíveis para doar fezes para investigação científica nas áreas da microbiota, nutrição e saúde, um valor 3% acima da média global. Quais poderão ser os fatores que explicam a maior predisposição dos portugueses para participar neste tipo de investigação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Santos Almeida (ASA) |&nbsp;</strong>Os dados mostram que mais de 60% dos portugueses estão disponíveis para doar fezes, o que é um resultado surpreendente e extraordinário. A participação ativa da população na ciência, seja na doação de amostras biológicas ou integração em projetos de ciência cidadã, é fundamental. Esta colaboração permite direcionar a investigação para questões relevantes para a sociedade e promove o pensamento crítico, a curiosidade e o conhecimento científico.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Acredito que as pessoas doam amostras porque confiam na ciência e nos cientistas. A nossa experiência, em estudos que decorrem há cerca de um ano em Portugal, indica que essa confiança é independente do estatuto social, da condição económica ou do nível de literacia da população.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Este resultado é fruto de um trabalho contínuo e colaborativo entre cientistas, jornalistas e associações de doentes, garantindo que a informação chega aos portugueses de forma clara e acessível. Não é possível apontar apenas um fator determinante porque são vários, mas pela nossa experiência, as pessoas&nbsp;confiam na ciência e nos cientistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante referir que o maior desafio para nós não é necessariamente convencer as pessoas a doar uma amostra de fezes ou outro tipo de amostra biológica. O verdadeiro desafio é conseguir acompanhar essa pessoa ao longo de vários anos de forma a que consiga doar várias amostras. Quando conseguimos recolher amostras sucessivas ao longo do tempo, o valor científico aumenta exponencialmente dado que é possível responder a muitas questões e gerar informação extremamente relevante. A nossa maior dificuldade reside, portanto, em não perder o contacto com as pessoas ao longo dos anos e conseguir que, repetidamente, aceitem doar amostras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Tendo em conta que a composição da microbiota intestinal é modulada por diversos fatores, qual é o real potencial da microbiota enquanto marcador de risco em saúde pública? E quais são, atualmente, os seus principais limites do ponto de vista da aplicabilidade clínica e epidemiológica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASA |</strong>&nbsp;Os grandes desafios para o estudo da microbiota são os diversos fatores que a podem alterar. A dificuldade é ainda maior porque alguns desses fatores são difíceis de recordar, como por exemplo,&nbsp;se foi amamentado&nbsp;ou quantas vezes o bebé tomou antibióticos nos primeiros três anos de vida, sendo esse período crucial para o desenvolvimento da microbiota e do sistema imunológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, eu prefiro ver isto de outra perspetiva: a de que o facto de a microbiota ser tão influenciada por vários fatores significa que podemos modelá-la. Ao contrário dos nossos genes, a microbiota é altamente modulável. Ou seja, mesmo que consigamos identificar uma microbiota ligada a doenças (por exemplo, tumorigénica ou obesogénica), podemos alterá-la através de intervenções a longo prazo, como mudanças no estilo de vida. É nesta perspectiva que podemos usar a microbiota como uma ferramenta na investigação para desenvolver novas terapias, não necessariamente medicamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à questão de utilizar a microbiota como marcador de risco, o que sabemos é que pessoas com certos tipos de doença têm uma microbiota muito específica. Dou o exemplo do cancro colorretal, que é o que o nosso laboratório estuda mais. Sabemos que as pessoas com cancro colorretal têm algumas bactérias em maior abundância que não estão presentes em pessoas saudáveis. Conseguimos, por isso, identificar as pessoas com esta doença com base na sua microbiota. Assim, a microbiota tem potencial para ser usada como um teste de diagnóstico, sendo mais específica do que os testes de rastreio que temos hoje em dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vários estudos nos mostram é que&nbsp;para avaliar o risco de doenças, é essencial incorporar fatores do estilo de vida, especialmente a dieta, que é o principal modulador da microbiota. O objetivo é expandir essa abordagem de forma universal, incluindo diferentes populações. Para isso, consideramos fundamental incluir fatores como o tipo de dieta, níveis de&nbsp;<em>stress&nbsp;</em>e sedentarismo, que em conjunto com biomarcadores da microbiota, permitirão desenvolver modelos de risco mais precisos para diversas doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | A análise de dados de microbioma gera volumes significativos de informação complexa e altamente individualizada. Que contributo pode oferecer a inteligência artificial na interpretação destes dados, nomeadamente na identificação de padrões relevantes? E até que ponto é fiável confiar que os algoritmos conseguirão distinguir entre correlação e causalidade num sistema tão dinâmico como o ecossistema microbiano humano?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASA |</strong>&nbsp;Os modelos de inteligência artificial não conseguem identificar a causa nem explicar como as bactérias podem ser a origem de certas doenças. Isso só é possível através de estudos mecanísticos em modelos animais e, posteriormente, estudos de intervenção em humanos, pois a inteligência artificial não pode substituir a experimentação em situações reais para identificar causalidades. No entanto, a IA tem um papel fundamental na criação de modelos de risco, dado que permite extrair uma grande quantidade de dados, não só ao nível da sequenciação, mas também considerando outros fatores, como a dieta e variáveis clínicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inteligência artificial é crucial, porque possibilita albergar milhares de pontos de dados e aperfeiçoar os modelos. Estamos ainda num estágio inicial, com muitas hipóteses em aberto e com diversidade de dados que podem ser qualitativos, variáveis contínuas, discretas, entre outras. Conseguir criar um modelo que integre todas estas variáveis é um desafio, especialmente porque nem todos os fatores têm o mesmo peso, por exemplo, dieta, exercício físico ou o uso de antibióticos influenciam de forma diferente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, na nossa investigação, estamos a tentar perceber que tipo de modelos de inteligência artificial podemos usar, quais as variáveis mais relevantes e se dispomos de todos os dados necessários. Precisamos de milhares de dados, para que estes modelos atinjam uma performance eficaz, com precisão e sensibilidade elevadas na avaliação do risco.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Com os avanços na investigação e nas aplicações clínicas da microbiota, multiplicam-se as abordagens terapêuticas baseadas na sua modulação, como os transplantes fecais, o uso de prebióticos personalizados ou as dietas de precisão. Estará a comunidade médica e científica preparada para integrar estas estratégias inovadoras na prática clínica? E que desafios se colocam à sua implementação em larga escala?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ASA |&nbsp;</strong>Acho que toda a comunidade científica e médica está bastante alerta para o papel importante da microbiota&nbsp;intestinal&nbsp;no nosso sistema. Um ponto de viragem foi o transplante fecal para infeções por&nbsp;<em>Clostridioides&nbsp;difficile</em>, que apresenta uma eficácia superior a 80%. Este é&nbsp;também&nbsp;um dos primeiros exemplos de um tratamento oral baseado num consórcio bacteriano. Foi esse avanço que fez a microbiota passar de um tema apenas interessante para os cientistas para algo com grande aplicabilidade clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, ainda existem muitos desafios, sobretudo no que diz respeito a dietas de precisão e ao uso de prebióticos ou probióticos. O nosso conhecimento sobre como alterar uma espécie específica sem desequilibrar o ecossistema microbiano é ainda limitado. Na nutrição de precisão, apesar de conhecermos alguns mecanismos, ainda há muito para descobrir. Ainda não estamos na fase de fazer intervenções microbiológicas precisas e personalizadas. Muitas pessoas perguntam se devem fazer testes à microbiota para a entender melhor. A resposta depende do objetivo. Para uma pessoa saudável, sem sintomas ou doenças, não faz sentido tomar probióticos ou fazer testes microbiológicos direcionados para a sua microbiota. Por enquanto, devemos ser cautelosos e não recomendar probióticos indiscriminadamente. Ainda assim, num futuro próximo, acredito que os testes à microbiota se tornarão rotina na prática clínica, permitindo intervenções mais direcionadas.</p>
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		<item>
		<title>SPO apresenta novo grupo de estudos dedicado ao fígado e vias biliares</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/atualidade/spo-apresenta-novo-grupo-de-estudos-dedicado-ao-figado-e-vias-biliares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 13:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) tem formado, desde julho, o seu novo Grupo de Estudos de Fígado e Vias Biliares, coordenado por Nuno Bonito, diretor do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Coimbra. A criação deste grupo tem como objetivo reforçar o conhecimento, a investigação e a resposta clínica às patologias oncológicas hepato-biliares [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) tem formado, desde julho, o seu novo Grupo de Estudos de Fígado e Vias Biliares, coordenado por <strong>Nuno Bonito</strong>, diretor do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Coimbra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação deste grupo tem como objetivo reforçar o conhecimento, a investigação e a resposta clínica às patologias oncológicas hepato-biliares em Portugal. “Acreditamos que este é um passo fundamental para otimizar o diagnóstico e o tratamento destes tumores no nosso país”, sublinha Nuno Bonito, que assume a coordenação do grupo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Contudo, o nosso empenho vai além da dimensão clínica e científica. Queremos trabalhar de perto com os doentes, compreendendo os seus desafios diários e capacitando-os para que possam ser parte ativa na sua jornada de tratamento e, em última instância, dar o impulso necessário para a formação de uma associação que os represente”, explica Nuno Bonito.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A formalização do Grupo de Estudos de Fígado e Vias Biliares visa melhorar o tratamento e o acompanhamento nesta área da Oncologia, considerada cada vez mais prioritária. Com este passo, a SPO reforça o seu compromisso com a excelência em Oncologia, promovendo a investigação, a formação e a educação contínua dos profissionais de saúde, assim como a consciencialização e o apoio aos doentes oncológicos.</p>
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		<item>
		<title>É urgente reforçar a oncofertilidade no cancro gastrointestinal indica estudo europeu</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/atualidade/e-urgente-reforcar-a-oncofertilidade-no-cancro-gastrointestinal-indica-estudo-europeu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 12:58:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um inquérito europeu demonstrou que a abordagem à preservação da fertilidade em doentes jovens com cancros gastrointestinais continua a variar amplamente, muitas vezes em desacordo com as orientações clínicas em vigor. O aumento da incidência destes tumores tem vindo a intensificar a preocupação com o impacto dos tratamentos na fertilidade, mas as abordagens clínicas permanecem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um inquérito europeu demonstrou que a abordagem à preservação da fertilidade em doentes jovens com cancros gastrointestinais continua a variar amplamente, muitas vezes em desacordo com as orientações clínicas em vigor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento da incidência destes tumores tem vindo a intensificar a preocupação com o impacto dos tratamentos na fertilidade, mas as abordagens clínicas permanecem bastante heterogéneas. Para compreender estas diferenças, foi realizado um estudo publicado no <em>Annals of Oncology</em>, que envolveu 226 oncologistas gastrointestinais de 27 países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os resultados, 57% dos especialistas abordam o tema com qualquer doente com menos de 40 anos, enquanto 36% limitam essa conversa a casos com potencial curativo. No caso das mulheres, 59% são encaminhadas para preservação de embriões ou ovócitos, e 24% para criopreservação ovárica, enquanto 17% não são encaminhadas, sobretudo por questões de tempo ou recursos. No caso dos homens, 65% dos oncologistas recomendam a preservação de esperma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procedimentos como a utilização de análogos libertadores de gonadotrofina (GnRHa) no cancro colorretal têm menor adesão, sendo recomendados por apenas 34% dos inquiridos. No contexto da radioterapia pélvica, 65% indicariam a transposição ovárica e 32% considerariam a transposição uterina. Protocolos sem radiação, como a quimioterapia perioperatória, são considerados válidos por 61% para mulheres jovens. Embora tenham sido identificadas diferenças relevantes entre países, não foram encontradas variações significativas entre perfis individuais de médicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os autores, os resultados demonstram a necessidade urgente de reforçar a formação em oncofertilidade e de gerar evidência específica para cancros gastrointestinais, garantindo que os doentes jovens recebam informação e oportunidades adequadas para preservar a sua fertilidade. Leia o estudo completo <a href="https://www.annalsofoncology.org/article/S0923-7534(25)00716-1/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>ESMO atualiza recomendações para tratamento personalizado do cancro retal localizado</title>
		<link>https://mygastrenterologia.pt/atualidade/esmo-atualiza-recomendacoes-para-tratamento-personalizado-do-cancro-retal-localizado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 12:52:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mygastrenterologia.pt/?p=223258</guid>

					<description><![CDATA[<p>A European Society for Medical Oncology (ESMO) publicou recentemente uma atualização das suas guidelines clínicas para o tratamento do cancro do reto localizado, reforçando a importância da personalização do tratamento e da integração de novas tecnologias. Esta nova versão destaca a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, com recurso a técnicas avançadas de imagem, como a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A <em>European Society for Medical Oncology</em> (ESMO) publicou recentemente uma atualização das suas <em>guidelines</em> clínicas para o tratamento do cancro do reto localizado, reforçando a importância da personalização do tratamento e da integração de novas tecnologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta nova versão destaca a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, com recurso a técnicas avançadas de imagem, como a ressonância magnética, para avaliar com precisão a extensão do tumor e a sua relação com as estruturas vizinhas. O tratamento neoadjuvante, com quimiorradioterapia antes da cirurgia, é recomendado para diminuir o tumor e melhorar os resultados cirúrgicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a cirurgia conservadora deve ser a opção preferencial sempre que possível, com o objetivo de preservar a função esfincteriana e a qualidade de vida do doente. Após a cirurgia, é essencial que sejam implementados programas de seguimento rigorosos para detetar precocemente possíveis recidivas e otimizar o prognóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As diretrizes incorporam também avanços tecnológicos e terapêuticos, como o uso de imagens de alta resolução, terapias dirigidas baseadas nos perfis moleculares dos tumores e a aplicação de inteligência artificial para auxiliar na interpretação das imagens e na personalização do tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta atualização da ESMO reflete o seu compromisso em melhorar os resultados do tratamento do cancro do reto localizado, promovendo uma abordagem mais individualizada e tecnológica, que pode contribuir significativamente para a qualidade de vida dos doentes. Leia as novas diretrizes <a href="https://www.annalsofoncology.org/article/S0923-7534(25)00731-8/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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